A exposição
inédita de Clara Pechansky: “Porto dos Casais” já pode ser visita. A mostra, composta por 74
obras, promove um recorte inédito na produção da artista plástica gaúcha. A proposta
do trabalho foca no
processo de constituição da temática dos casais dentro do universo criativo de
Clara, enfatizando como esse assunto, apesar de historicamente fazer parte da
sua obra, pode incentivar novas releituras. Os casais presentes na exposição,
que ficará em cartaz até o final de junho, são representações icônicas que
surgem na História da Arte, desde a antiguidade, permeiam a Idade Média, o
Renascimento, o período Barroco e vêm até a modernidade.
A concepção desse novo projeto da
desenhista, pintora e gravadora, nascida em 1936,
na cidade de Pelotas no Rio Grande do Sul, surgiu no primeiro semestre do ano
passado, em conjunto com o pesquisador e crítico de arte Paulo Gomes, em
parceria com o CCCEV. A partir dessa época, iniciaram as pesquisas para a
concepção de “Porto dos Casais” que, após um período de produção, será
oficialmente inaugurada dia 11 de maio, às 11h, na sala "O
Arquipélago" do espaço localizado na rua dos Andradas, 1223, Centro
Histórico de Porto Alegre. A visitação da mostra se estende de 14 de maio até
26 de junho, de terça a sexta-feira, das 10 às 19 horas e, nos sábados, das 11h às 18h.
Na
raiz da obra, a figura humana
A
opção pela figura humana está na raiz da obra de Clara Pechansky. Temas de
impacto social, como meninos de rua, aposentados, ecologia, política, ditadura,
relações afetivas, fazem parte do repertório de imagens da artista. A História
da Arte tem sido igualmente uma fonte de inspiração, já que ela utiliza a
releitura e a citação de grandes mestres para enfatizar suas ideias, como uma
ponte entre o passado e o presente.
Segundo
o curador da exposição, Paulo Gomes, “esta é uma exposição que tem as
características dos jogos, uma atividade da ordem do prazer e da diversão que
parte do estabelecimento de uma série de elementos que podem ser permutados ao
gosto dos seus instituidores”. Ele acrescenta que neste projeto há dois jogos:
“um rigoroso e determinado, que é praticado pela artista, que vai
intercambiando as técnicas artísticas a sua livre escolha, misturando, sem
discriminação e sem preconceito, o desenho, a pintura, a colagem, a gravura,
entre outras”. O segundo, continua ele, “é um jogo para eruditos e cultos,
compartilhado entre a artista e seu público, no qual referências à História da
Arte vão sendo permutadas em busca de novos significados ou apenas pelo prazer
de criar situações inusitadas e inesperadas”.
Porto
dos Casais mostra um conjunto de 74 obras, entre pinturas, desenhos, colagens e
gravuras, resultado do imaginário universal e da revisão de biografias para
recontar a História. A exposição se divide em três grandes temas: Arqueologia
Pessoal, Mitos e Lendas e História Recontada.
Ainda, segundo o curador Paulo
Gomes, que também é responsável pela museografia, a exposição é uma homenagem a
Porto Alegre. “A
permanência dos casais, enquanto tema pictórico e escultórico, atesta o seu
vigor, seu poder de atração e interesse por parte do público e dos artistas.
Associada a essas razões, está também a ideia de homenagear a capital dos
gaúchos, a Porto Alegre dos Casais, cidade que a artista elegeu para sua
moradia e base da sua produção artística”, diz. A coordenação gráfica e as
fotos do folder bilíngue são do designer Flavio Wild.
Em
paralelo à exposição, no último sábado deste mês, dia 25, às 11h, ocorre no
Auditório Barbosa Lessa (quarto andar do CCCEV) um painel com a artista, o
curador e a pesquisadora e crítica de arte Paula Ramos com o tema “Casais:
mitos, lendas e histórias”.
SERVIÇO:
Exposição: Porto dos Casais
Obras e Técnicas: 74 obras, composto por
pintura, desenho, colagem e gravura
Local: Centro
Cultural CEEE Erico Verissimo - CCCEV
Período da Exposição: Até 26 de junho de 2013.
Horário de Visitação: De terça
a sexta-feira, das 10h às 19h. Nos sábados, das 11h às 18h
Atividade paralela:
Painel
com Clara Pechansky, Paulo Gomes e Paula Ramos: Sábado, dia 25 de maio, às 11h
– Auditório Barbosa Lessa, 4º andar do CCCEV
SOBRE
CLARA PECHANSKY
TRAJETÓRIA - Clara Pechansky
nasceu em Pelotas, RS, em 1936. Desde cedo, demonstrou vocação para o desenho,
ingressando na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pelotas, aos 15
anos de idade. Graduou-se como Bacharel em Pintura com Medalha de Ouro −1º Prêmio em Pintura − na Escola de Belas Artes de Pelotas (UFPEL)
em 1956. Realizou mais de 50 exposições individuais em museus e galerias do
Brasil e também na Bélgica, na Holanda, em Portugal e nos Estados Unidos. Além
do seu trabalho de atelier, tem uma larga atividade como artista gráfica. A
gravura e o desenho projetaram sua obra em 20 países dos 5 continentes, com
participação em mais de 90 exposições bienais e trienais de Arte Gráfica e a
obtenção de 3 prêmios internacionais. Seu nome consta de importantes catálogos
e suas obras integram coleções nacionais e internacionais de acervos particulares
e públicos.
Além
de pintora e artista gráfica, Clara dedica-se ao ensino e é também produtora
cultural, tendo criado os projetos Artistas da Vida I e II (com Liana Timm), o
Projeto Ensaio para o Theatro São Pedro e o Projeto Miniarte, do qual é
Coordenadora Geral Internacional. Exerce uma liderança independente nas Artes
Visuais, sendo convidada para palestras e encontros sobre Arte e temas afins. Regularmente,
publica artigos de opinião em jornais e na internet. Desde
2001, dirige o Atelier Clara Pechansky, onde forma, incentiva e orienta futuros
artistas.
ATUAÇÃO
CULTURAL e COMUNITÁRIA − A artista exerce uma liderança independente nas Artes
Plásticas no RS, escrevendo artigos de opinião para jornais, revistas e
internet, e participando de associações de classe, debates e painéis. Entre
outros destaques recebidos por sua atuação profissional e comunitária, foi a
artista homenageada pela Secretaria Municipal da Cultura na 42ª Semana de Porto Alegre, tendo seu livro Clara Pechansky – Variações sobre o Enigma/
Variations on the Enigma obtido o Troféu Açorianos 2001 na categoria Prêmio Especial do Júri. A biblioteca da Creche Anne Frank leva seu
nome, dentro do pavilhão construido com a renda da sua exposição Projeto Ensaio no Theatro São Pedro (1998/2001).
REFERÊNCIAS
−
Clara Pechansky é verbete em dicionários e referência em livros, como O design brasileiro antes do Design
(Cosac & Naify, 2005). O livro bilingüe Clara
Pechansky - Variações sobre o Enigma / Variations on the Enigma, publicado
em 2001, foi lançado em exposição no Centro Cultural do Gasômetro e relata a
trajetória da artista. Em 2005, organizou a publicação do livro A face escondida da criação (Movimento/UFPEL)
com mais 7 autores.